Chama de Amor Viva


terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O sacerdote, vive o que ensina!


Divino Espírito, silencioso mistério infinito… que todos os sacerdotes Te busquem, fortifiquem as suas vidas na verdade do Evangelho e sejam sinais de fé para a humanidade. Divino Espírito, alma da nossa alma, que os sacerdotes encontrem a esperança na profundidade da «fonte que mana e corre», no Teu doce, terno e eterno amor para que possam prosseguir a missão a que foram chamados! Divino Espírito, envolve-os, alumia o mundo sacerdotal com a força da Tua luz para que eles vivam de Ti e em Ti semeando no Mundo a autenticidade do Teu Amor! Ámen.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Um jardineiro...

Um jardineiro, todas as manhãs tratava do seu jardim. O seu jardim era o mais belo dos jardins. Um jardim provido de uma extraordinária beleza, nele se refugiava e com ele conversava e crescia em cada novo dia. Guardava e (re)encontrava alegria para viver, um olhar especial o inundava de graça ao saber-se nele... Durante todo o ano, o visitava e trazia presente no seu pensamento. Nenhuma estação do ano o derrubava, nem mesmo o rigoroso e gélido Inverno. Neste jardim as distintas flores cresciam, os pássaros e todos os animais do campo cursavam cada recanto, conheciam o seu jardineiro e ele entregava-se a eles enraizando-se. Em cada lugar vazio, brotava a vida!
Certo Inverno, o jardineiro deixou de vistoriar, percorrer o seu jardim, descuidou o amor que lhe tinha, hospedou-se em outros que não ele… E o jardim? O especial jardim? O seu jardim? Ele não cuidou dele. Ninguém mais cuidou dele. As flores murcharam, não eram regadas, o verde perdera a cor, a relva não era aparada, os pássaros deixaram de chilrear, não apareciam, não alimentava os animais, não conversava com as flores…nada, nada, nada… Nada nem ninguém tinha vida? O que teria acontecido ao jardineiro? Acabara de trabalhar a terra, estaria concluído o seu trabalho? Deixara de amar? Deixara de ver nas criaturas meios para o auxiliarem a conseguir o fim. Como poderia ficar indiferente?
O jardineiro, deixara de cuidar do seu jardim, perdera o encanto... Ao redor do seu jardim via que o mais belo dos jardins de outrora, o seu, tinha perdido a beleza. Quem o despertaria para a realidade? Ao redor, os outros jardins cresciam com um especial brilho, o brilho que cada um dos jardineiros depositara... mas, o seu, o especial jardim de que o conto conta, o mais belo dos jardins morria, por não encontrar a vida! O jardineiro desfalecia ao ver como tinha deixado desfalecer o seu jardim!
A ausência do seu «prestador de cuidados», o jardineiro, a ausência das suas sinceras palavras que germinavam da humildade do seu coração, originara a morte do jardim… As lágrimas silenciosas que corriam em seu olhar eram a linguagem presente de tempos ausentes, eram a linguagem do seu coração que sangrava, por ter originado a morte do seu jardim. O jardineiro, não cuidará do seu jardim e o seu jardim morrera!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Sublime luz da união divina

«Reparemos bem neste ponto: mesmo não havendo perigo algum de cair na ilusão, é sempre preferível não desejar a inteligência de verdades claras com referência à fé, a fim de conservar-lhe o mérito em sua pureza e integridade, e também para chegar através desta noite do entendimento à sublime luz da união divina.” [São João da Cruz]

Hoje, no dia da comemoração dos fiéis defuntos, somos inundados de coragem, para que, de um modo especial, «fechemos para balanço» …somos convidados a parar, somos seduzidos a rever o nosso caminhar e a despertarmos do sono em que muitas das vezes andamos… Paramos para reflectir acerca de como anda o nosso caminho de conversão para que um dia possamos contemplar «a sublime luz da união divina». Porque nos predispomos a amar, viveremos para sempre…participaremos do errante amor de Deus. De-mos a Deus o nosso tempo, pois se queremos caminhar plenamente da vida de Deus lá no Céus, comecemos a caminhar em Deus no meu do Mundo! Porque tal como nos deixou legado São João da Cruz: «no ocaso da vida seremos julgados pelo amor» …Preparemos este caminho em verdade e com verdades claras…

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Profundo do Ser...



En lo más profundo del Ser
El alma se enamora,
Vive, siente y llora.
En los caminos perdidos
Muchas veces feridos...
En cada montaña que aparece
Algo queda por desvendar,
Se siente una presencia escondida,
Que no se cansa de procurar.
La incerteza de la verdad se esconde
En la línea del horizonte,
Permaneciendo en los momentos
De soledad y ya no se siente
La frescura de la eterna fuente.
El enamoramiento es un querer quedar,
Teniendo presente un pretender,
Que deja renacer la eterna palabra: Amar!
[VP – 2002]

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Entrando mais adentro na espessura

Aceitar o convite do mestre João da Cruz, entrar mais adentro na espessura é para valentes. É para corajosos serenos que querem alcançar a meta a que ele propõe. Este mestre tem um Mestre que é o único caminho que nos leva até a paternidade do amor, o Pai, «Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim» [Jn 14,69]. Quem se predispõe a caminhar é capaz de partilhar o nada que leva e o tudo que encontra no caminho, este encontro é conseguido quando de «mãos abertas e vazias», nos deixamos aventurar. Mesmo que nada levemos... a infinidade do que levamos no olhar é o suficiente para continuarmos a entrar e a aproximarmo-nos desta espessura? Neste andar, muitos são os obstáculos que nos surgem... outra margem, outro passar de ponte, outro romper de barreira, tudo dificulta a serventia e o tentar compreender palavras sábias desta «brisa terna e suave no meio de uma noite que nos leva mais longe»!Quando nos propusermos a por no caminho, os obstáculos que ocultamos em nós, veremos o quanto ganhamos, abrimo-nos a outras realidades sentiremos o gozo estando na presença do mestre. Entrando mais adentro na espessura, silenciaremos: «ò bosques de espessuras, plantados pela mão do meu Amado, ò prado de verdura, de flores esmaltado, dizei-me se por vós terá passado?» Caminhando e deixando-nos estar no encontro com Ele, encontramos o centro. Nesta trajectória já não encontraremos mais obscuridade. Encontraremos tesouros, e neste estado presente e encontrado, recolheremos as flores e levaremos um estado de graça incondicional difícil de entender e explicar por palavras. «O reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo» [Mt 13,44]... Saberemos o quanto significou passar, romper fronteiras até esse amor nos encontrar. Ele saiu de si e veio à procura de um nós?… Neste devir damo-nos conta de uma verdade maior que procura a quem procurado se encontra.... Na silenciosa noite, presença do encontro, o ânimo encanta pois a este é atribuído um outro valor... Oh! Via de amor… que nos circunda... Entremos mais adentro na espessura…

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Oração da Alma Enamorada...


video

Senhor Deus, amado meu!
se ainda Te recordas dos meus pecados,
para não fazeres o que ando pedindo faz neles,
Deus meu, a Tua vontade,
pois é o que eu mais quero,
e exerce neles a Tua bondade e misericórdia
e serás neles conhecido;
e, se esperas por obras minhas,
para, por meio delas, me concederes o que Te rogo,
dá-mas Tu, e opera-as Tu por mim,
assim como as penas que quiseres aceitar e faça-se.

Mas se pelas minhas obras não esperas,
porque esperas, Clementíssimo Senhor Meu?
Porque tardas?
Porque, se, enfim, há-de ser graça e misericórdia
o que em Teu filho Te peço,
toma os meus parcos haveres pois os queres,
e dá-me este bem, pois que Tu também o queres.

Quem se poderá libertar dos modos e termos baixos
se não o levantas Tu a Ti em pureza de amor,
Deus meu?
Como se elevará a Ti o homem gerado e criado em baixezas,
se Tu o não levantares, Senhor, com a mão com que o fizeste?

Não me tirarás, Deus meu,
o que uma vez me deste em Teu único Filho Jesus Cristo,
em quem me deste tudo quanto quero;
por isso folgarei pois não tardarás,
se eu confiar.

Com que dilações esperas,
se desde já podes amar a Deus em teu coração?

O céu é meu e minha a terra;
minhas são as gentes,
os justos são meus e meus os pecadores,
os anjos são meus e a Mãe de Deus,
e todas as coisas são minhas;
e o próprio Deus é meu e para mim,
porque Cristo é meu e todo para mim.
Que pedes pois e buscas, alma minha?
Tudo isto é teu e tudo para ti.

Não te rebaixes,
nem atentes nas migalhas caídas da mesa de teu Pai;
sai de ti e gloria-te da tua glória;
esconde-te nela e goza, e alcançarás o que pede o teu coração.

[Oração da Alma Enamorada - S. João da Cruz]


... oração da Alma Enamorada, sentido amorável, de olhar sublime, elenco da essência do encontro com o Amado… momento crescente de uma enamorada alma que apreende que na transparente humildade, cresce reconhecendo a sua profunda miséria, depositando tudo o que é na grandeza de quem ama… Oh! acentuados caminhos pautados por uma ditosa nova claridade, trilhos orientados pelos exemplos de Jesus Cristo. Neste estado solidifica-se o regresso, o eterno retorno a Deus que perfaz vazios e enche de esperança...Ergamos o nosso olhar para o alto… O mundo só descobrirá tal tesouro se preestabelecer caminhos, se sentir a presença desta brisa de Deus que passa e não deixa o caminho permanecer igual. Se temos sede, caminhemos, procuremos e paremos junto da fonte onde jorra água viva … «A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.» [Ap 21,6-b] Jamais poderemos deixar de saciar a nossa sede, enquanto sairmos em busca do Amado… Oh! Alegria infinita e definitiva... Na tranquilidade do encontro com o Amado, que já se encontra disseminado em nós, é-nos revelado a presença dos irmãos e neste encontro Deus transforma em cada segundo presente a nossa existência, faz-nos criaturas novas, abundantes de serenidade e paz… retomemos o caminho! Ele caminha a nosso lado...

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Lago sereno em que repousais…


«…como o amor de Deus e o amor da criatura são opostos, é preciso ir limpando a alma do amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor divino» [São João da Cruz]


... Ontem, findo o dia, numa noite de caminho, em que contemplei e vi em mim um lago sereno de muitos pensamentos, neste lago sereno de pensamentos, reflectiram-se passagens de caminhos em que as águas límpidas querem vislumbrar as estrelas, reflecti enquanto percorria uns km de estrada, em vidas cercadas de comodidades, que nem por isso deixam de ser mendigos, reflectia na falta de luz, na luz que obscurece o caminho de tantos homens que se entregam a Deus, reflecti no sacerdócio ministerial em que muitas das vezes se apaga no caminho a lâmpada da fé. O lago sereno em que outrora repousaram, fica sujo e nada reflecte, sentem-se fracos, porque as lutas e tentações são fortes e continuadas, uns desistem, outros persistem desistindo de si… já nem sequer vivem a grandeza do sacerdócio baptismal… Oh! Meu Deus Amado, que encontrem a luz e a generosidade que só Tu és capaz de lhes dar! Por eles intercedo junto de Vós. Procuro ao chegar a casa quem tenha vivido, sorrido e sofrido na sua alma este Amor… Encontro em São João da Cruz, estas palavras: «é preciso ir limpando a alma do amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor divino», vejo reflectida nos seus escritos um belo lago, onde se vêem circunspectas todas as suas virtudes, fé, esperança, amor, humildade, abnegação, generosidade, zelo, oração… e Deus, ao ter visto tanta beleza neste «meio frade», tal como lhe chamava nossa mãe Teresa de Jesus, repousou nele o seu formoso olhar e fez com que ele deleita-se todo o seu ser continuamente na grandeza da admiração do amor de Deus. Oh! Bendita alma que viveu na terra, em que o ofertório da sua vida não terminou enquanto não dissesse o «Ámen», dando inicio à Missa eterna que de certeza vive no céu…! Ao (re)ler os seus escritos nesta ditosa noite, não posso ficar, indiferente a todas as palavras que usou para (re)afirmar tanta transparência e magnificência a todos aqueles que encontrou no caminho, a tantos outros que aproximou de Deus. Homens e mulheres que ficaram contagiados pela sã alegria. A simplicidade da sua vida é a virtude que mais consigo destacar em São João da Cruz, simples nas suas palavras, inteligente no seu modo de pensar, no trato com os outros que com ele se alegravam e erguiam. Simples nos afectos do coração, todas as classes sociais estavam nele… Vejo neste transparente homem, um manancial de paz, alegria e amor, um enamorado de Cristo que me faz avançar nos mistérios de Deus de uma forma íntima e profunda…